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Ao completar um ano, revista reuniu responsáveis por grandes projetos para mostrar ao mercado a realidade dos internautas das classes C, D e E
O aumento do acesso à internet por cidadãos pertencentes às classes C, D e E é o tema da matéria de capa da edição que comemora o primeiro aniversário da revista Meio Digital, do Grupo Meio & Mensagem. O aumento do poder aquisitivo e as facilidades em adquirir um computador - maiores prazos de financiamento e queda dos preços são algumas delas -, estão promovendo a inclusão digital no País e fazendo com essas pessoas desvendem a cada dia um novo pedacinho desse imenso universo virtual. Em debate realizado na última terça-feira, 8, Pyr Marcondes - editor da publicação - reuniu-se com Rodrigo Baggio, criador do Comitê pela Democratização da Informática (CDI), e com Flávio Pimenta, fundador do projeto Meninos do Morumbi, para discutir caminhos de fazer com essa inclusão aconteça de maneira responsável. “Fizemos um download da realidade e um exercício de cidadania para mostrar que, mesmo que a internet esteja ao alcance de apenas 15% da população brasileira, esses índices vêm crescendo e muita gente vem colaborando para isso”, comentou Marcondes.
Fundado em 1995, o CDI é considerado a maior ONG de inclusão digital do Brasil com mais de um milhão de pessoas atendidas e informaticamente alfabetizadas ao longo desses anos. Segundo Baggio, ainda falta no País os chamados empreendedores sociais, que são aqueles que acreditam ser possível investir tempo e ser remunerado para contruir um mundo melhor. “Romper a barreira do semianalfabetismo é um grande desafio no nosso dia-a-dia, mas o entusiasmo dessas pessoas que chegam em nossas escolas para aprender unido ao sentimento de oportunidade única por terem a chance de navegar na internet e encontrar ali uma forma de melhorar seus estudos, trabalhar ou fazer seu currículo para buscar uma vida melhor, acaba compensando qualquer dificuldade que possa existir”, disse Baggio sobre possíveis dificuldades de compreensão.
Já Pimenta alertou sobre o controle do que acessam as pessoas que começam a ter contato com um mundo novo e vasto. “Temos 150 máquinas à disposição dos nossos jovens e vejo a tecnologia como uma ferramenta que abre portas para coisas boas, como a empregabilidade, Mas precisamos, sobretudo, trabalhar os valores desses jovens para que eles usem a rede sempre para o bem. Abrir o acesso e não controlar ou educar para que a internet seja usada de maneira consciente é abrir uma porteira para passar uma boiada entrando em um terreno perigoso”, acredita.
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