@profissaoweb no Twitter

Ir direto para o conteúdo

Profissão Web

Arquivo de artigos sobre "Entrevistas"

Quarta-feira, 9 de maio de 2007 às 9:58

Profissão Web Entrevista: René de Paula Jr

Nesta quarta-feira teremos a participação de René de Paula Jr na seção Profissão Web Entrevista. Na entrevista com René apresentararemos a visão do especialista em projetos interativos sobre a polêmica Web 2.0.

*René de Paula Jr é um especialista em projetos interativos que trabalha com internet desde 1996. Com passagens por grandes agências como AlmapBBDO, AgênciaClick, Wunderman, empresas como Sony e Banco Real e mais recentemente o Yahoo! Brasil, René tem como foco a criação, implantação e manutenção de projetos focados na participação do usuário, na formação de comunidades e na brand experience integrada.

Thiago Melo: O que é a Web 2.0?

René de Paula Jr: Como era a web antes da Web 2.0? Era assim: tinha muito conteúdo para você acessar, mas não passava disso, pois comentar, enriquecer, compartilhar era quase impossível. Se você quisesse publicar alguma coisa na web antiga, tinha que aprender um monte de coisas: HTML, FTP, Photoshop, etc. Se você publicasse seu conteúdo ele ficaria ilhado no seu site esperando que alguém o descobrisse. Era legal, mas faltava alguma coisa.

Sabe o que faltava? Você. Na Web 2.0 você pode comentar, alterar, contribuir e compartilhar com outras pessoas e, o que é mais legal, sem ter que aprender HTML nem nada.

Em suma: Web 2.0, para mim, é a web onde todos têm voz e ninguém tem a última palavra. :)

Thiago Melo: O termo “Web 2.0” tem sido bastante utilizado para descrever uma segunda geração da web: O colaborativismo e a troca massiva de informações, mas este termo tem gerado inúmeras discussões. Por que as pessoas têm tanta dificuldade em aceitar este termo definindo o mesmo como um “golpe de marketing”?

René de Paula Jr: A resposta é simples: não tenho idéia :) É claro que dar um nome novo é uma maneira de marketear a história toda, mas que mal há nisso? Se o problema for só o rótulo e o buzz todo, para mim isso não é problema, pelo contrário: acredito que isso alavancou bastante nosso mercado. Se a questão for se há ou não algo novo, eu prefiro deixar que o Yahoo! Respostas responda… com milhões de respostas. :D

Thiago Melo: Como diretor de produtos do Yahoo! você participou da criação de muitos serviços considerados Web 2.0. Quais foram estes produtos e como você acredita que eles mudaram a forma como as pessoas interagem com a web?

René de Paula Jr: Calma, calma :) Adoraria ter participado da concepção, gestação e parto de prodígios como o Flickr, Delicious ou mais recentemente do Yahoo! Respostas, mas como esses produtos nascem normalmente lá fora, meu trabalho sempre foi muito mais puericultura do que obstetrícia. :)

Metáforas grávidas à parte, eu tive a chance de acompanhar o lançamento do Yahoo! Respostas no Brasil (excelente trabalho de Fabio Boucinhas e sua equipe). Foi fascinante, sobretudo pela resposta maravilhosa dos usuários brasileiros. Em pouquíssimo tempo já tínhamos um milhão de respostas, e rapidamente assumimos a vice-liderança mundial no seu uso. Emocionante, mesmo.

Assistindo de camarote como as pessoas utilizam esses serviços, o que me fascina é ver como as pessoas são donas do próprio nariz, como elas se apropriam das ferramentas e fazem com elas o que bem entendem. Criam suas próprias redes sociais, definem quem vê o quê, dão o sentido que bem entendem… Isso é genial, é como se fossemos a personagem do “Apanhador no Campo de Centeio” zelando pelas crianças que brincam livres.

Thiago Melo: Encontramos hoje na web modelos de serviços como a Wikipedia e o Yahoo! Respostas. Qual a sua opinião sobre a relevância das informações postadas nestes serviços?

René de Paula Jr: Uma das disciplinas mais difíceis da área interativa é a humildade. Quando eu finalmente chego à conclusão que entendi o que está acontecendo, os zilhões de usuários dão uma pirueta e me deixam de pernas pro ar. Eu já errei inúmeras vezes e me surpreendi outras tantas, e esse é um dos maiores encantos desse front que escolhi, e é justamente por isso que digo: a minha opinião é o de menos. Em serviços desse tipo, o juízo de valor não é privilégio de iluminados, mas é um direito de cada usuário envolvido. Se eles considerarem aquela informação relevante, não sou eu quem vai impor alguma coisa, não é?

Ok, é claro que existe um sem-número de questões complicadas, tais como veracidade, profundidade, legitimidade, etc., questões que nos perseguem desde que abrimos a boca para grunhir em sociedade, mas se esse saber cooperativo está crescendo tanto, eu tiro o meu chapéu e o saúdo.

Ainda nesse tema Web 2.0 há outras questões que me intrigam:

Colaboração não é a panacéia universal, por três razões:

  • Nem todo mundo está disposto a colaborar.
  • Quem quer colaborar/produzir/publicar é um minhoquésimo do universo de usuários.
  • Nem toda situação melhora com a participação coletiva. Você já pegou um semáforo pifado na Brasil com a Rebouças?

Existem pessoas 2.0? Eu duvido, e explico:

  • Pessoas são capazes de coisas bárbaras e de barbáries, é só uma questão de contexto.
  • Contexto algum vai fazer as pessoas serem capazes do que não são capazes.
  • Ainda nem entendemos a nossa própria versão beta.

Nem tudo o que é novo inova. Explico:

  • Inovar é mudar o mundo.
  • Muita novidade ou é fogo de palha ou simplesmente não vinga.
  • Muitas inovações revolucionárias nasceram de patinhos feios (o Orkut que o diga, ICQ idem).

Pirotecnias técnicas não trazem muita luz. Explico:

  • Quem gosta de tecnologia é tecnólogo. O resto da humanidade gosta mesmo é de ser feliz.
  • Se olharmos pra técnica, estamos olhando pro dedo que aponta a lua, e não para a lua.
  • Se olharmos pra técnica olhamos para o NOSSO dedo, e não pros outros zilhões de dedos que não estão nem aí pra técnica.

Olhando para trás, tudo faz sentido. Mas lá atrás, ninguém poderia imaginar. Explico:

  • Muitos projetos que hoje achamos geniais nasceram por serendipity total, quase como crimes préter-intencionais.
  • Se tem algo absolutamente imprevisível é o gosto popular: você nunca vai saber porque algo “bombou” ou bombou.
  • Cada usuário tem um mouse na mão. Eles são 1 bilhão. Estamos cercados.

Uma última consideração:

Há 10 anos atrás alguém me perguntou como eu me via no futuro. Eu disse: invisível, diluído, desnecessário, porque meu sonho é que no futuro não precisaremos mais de gurus. Well, mais um pouco eu chego lá. :)

Categorias:

Compartilhe:

Quarta-feira, 2 de maio de 2007 às 18:11

Profissão Web Entrevista: Luli Radfahrer

Nesta quarta-feira teremos um momento muito especial com Luli Radfahrer* na seção Profissão Web Entrevista. Toda semana teremos uma entrevista com um convidado diferente. Nesta semana a entrevista apresentará a visão do Luli do “Novo diretor de criação” em tempos que se fala de Web 2.0.

Luli Radfahrer é Ph.D. em comunicação digital pela ECA-USP, de onde também é professor há mais de dez anos. Trabalha com internet desde 1994, quando fundou a Hipermídia, uma das primeiras agências de comunicação digital do país, hoje parte do grupo Ogilvy. Saiu em 96 para fundar seu estúdio, onde atendeu AlmapBBDO, MTV, FIAT, Leo Burnett, VISA, Volkswagen e Camargo Corrêa. Em 99 foi para a StarMedia de Nova York assumir a Vice-Presidência de Conteúdo. De volta, criou a dpz.com, divisão digital da agência de propaganda DPZ. Em 2002 trabalhou em Londres, com projetos de TV Interativa e comunicação wireless. Voltou como consultor, tendo como clientes a AOL Brasil (redesenho e reestruturação do conteúdo) e o McDonald’s (projeto de conteúdo para o McInternet). Administra uma comunidade para a divulgação de conhecimento digital, e desenvolve, segundo seus amigos, “projetos meio malucos” para empresas no Brasil, Canadá, Estados Unidos e Oriente Médio. Colunista da revista Webdesign, é autor dos livros “Design/web/design” e “Design/web/design:2”, considerados referência para a área, e “A Arte da Guerra Para Quem Mexeu No Queijo Do Pai Rico”, uma análise crítica e bem-humorada do ambiente corporativo.

Thiago Melo: Luli, em tempos que se fala de Web 2.0 e de empresas como o Google, que registrou já no primeito trimestre do ano o faturamente de 1 bilhão de dólares, você acredita que novos negócios podem ser criados com pouco investimento, muito trabalho e uma excelente idéia?

Luli: Sim, mais do que nunca. O mercado já sabe o que é a Internet, a bolha já estourou faz tempo e, com ela, se foram o capital especulativo e a idéia de se ganhar dinheiro rápido e fácil. Hoje, com uma série de tecnologias open source, AJAX e Apollo, pode-se fazer rapidamente um bom mashup, otimizando os dados brutos dos outros. É o que o Google Earth fez com as fotos de satélites e como vários outros vêm fazendo com esses novos mapas. Só que para isso é preciso se apoiar em um tripé de conhecimento nas áreas técnica, comercial e mercadológica.

Thiago Melo: Você acredita que o novo diretor de criação em tempos de Web 2 deve ser um geek ou um profissional mais criativo como um publicitário, por exemplo?

Luli: o publicitário é um dos profissionais menos criativos que existem, só perdendo para o fashionista. A maioria vive de reciclagem de idéias e repetição de chavões. Se você acha que os anúncios estão piores do que nunca, você não está sozinho. O novo diretor de criação, seja em que área for que atue, não precisa ser um geek, mas precisa estar ligado. Ele pode até se dar ao luxo de desconhecer como se faz uma página em Flash, mas precisa saber o que dá para se fazer com cada recurso disponível no mercado. Em outras palavras: um cara que se vista como tiozão dos anos 80 é o cara errado, mas o que se vista como personagem de Star Trek também o é. O mais importante é estar aberto a tudo que for nova idéia, venha de onde vier.

Thiago Melo: Você fala muito sobre a construção de cases e construção de cenários como a criação de um planejamento estratégico para o novo diretor de criação. Poderia explicar isso melhor para nós?

Luli: o cliente não cai mais nesse papinho mole de “talento”. Ele sabe quanto custou cada centavo de sua verba de comunicação e não vai desperdiçar com alguém de cabelos, óculos e roupas coloridas que fale um monte de termos em inglês para mostrar um “trocadalho” em um layout xexelento. Ou pelo menos não deveria. Ele trata a comunicação como investimento e quer saber quanto vai tirar de cada redesenho de layout. Você precisa dar isso a ele. Imagine que você tem uma loja ou um bar e contrata um arquiteto. É natural que você se pergunte quanto vai custar a obra e o que ela vai render em termos de novos negócios. Se todos pensamos assim na hora que somos clientes, por que estranhamos tanto ao ouvir essas perguntas? Você precisa mostrar para ele que design é um bom negócio, e que seu trabalho tem muito mais a ver com relevância que com beleza.

Thiago Melo: Você acredita que o novo diretor de criação deve conhecer a fundo o negócio do seu cliente. Quais ferramentas ele possui hoje ou pode buscar para esta pesquisa? Como o novo diretor de criação deve utilizar as fontes de pesquisa de mercado ou de um sistema CRM para isso?

Luli: a ferramenta mais importante é o próprio cliente. Se ele for um profissional razoável, certamente terá uma pilha de informações e experiências acumuladas com relação a seu produto, público e segmento. Ele vai adorar falar a respeito delas. Essa informação vale ouro e, mesmo que não seja a mais atualizada ou moderna, é certamente a mais útil. Bem ou mal, a empresa que contrata o designer existe e vende, portanto alguma coisa certa ela deve fazer.

Thiago Melo: Com quais mídias você acha que o novo diretor de criação deve trabalhar e como você acredita que ele deve integrá-las?

Luli: com todas. Ou melhor, com todas que forem relevantes. Vídeo é a mais importante de todas hoje em dia, e pode ser aplicada para advogados ou para peões de fábrica, por isso jamais deve ser desprezada. Outras – de RSS a serigrafia – devem ser utilizadas conforme a ocasião, tipo e tamanho de cliente. O diretor de criação é um maestro. Ele não precisa saber como tocar instrumento algum, mas precisa saber como harmonizá-los e como tirar o melhor de cada um. Não é uma tarefa fácil, agradável ou tranqüila, mas é fascinante. Se o designer não sabe ou não quer fazer isso, não tem problema, ele que contrate um diretor de criação e trabalhe serenamente na sua área. Afinal de contas, conhecemos mais atores que diretores de cinema, mais músicos que arranjadores. Não há mal algum em não ser um diretor de criação.

Thiago Melo: Como você acha que os novos diretores de criação poderiam iniciar no conhecimento de novos consoles de games e o que eles devem conhecer para integrar estes consoles com as mídias já utilizadas em uma campanha?

Luli: jogando é que não. É um caminho viciado, tortuoso e tendencioso. Ele pode ler a respeito, experimentar um ou outro, estudar suas capacidades, conhecer experiências de integração já realizadas… existem diversas formas. Para saber como integrar um console a uma estratégia de comunicação, ele deve pensar o contrário: qual é a estratégia, quem a consome, que outros hábitos essa pessoa tem, se é relevante entrar com uma ação em um game, que tipo de game pode oferecer algo que nenhum outro meio de comunicação possa oferecer… para só daí pensar em algo. Se a resposta para todas essas perguntas for afirmativa, a solução é fácil. Eu, por exemplo, estou desenvolvendo uma solução que usa telefones celulares para acompanhamento diagnóstico de pacientes com transtorno bipolar do humor. Garanto que o ponto de partida não foi olhar para um celular e pensar que problema psiquiátrico eu poderia colocar ali dentro.

Thiago Melo: Como você acha que o novo diretor de criação deve criar uma boa campanha de guerrilha ou viral?

Luli: se tivesse uma fórmula, ela já não seria boa.

Thiago Melo: Em tempos de Web 2 se vê muitos profissionais “freelancers” e “pessoas jurídicas” disputando o mercado com profissionais contratados pelas empresas. No mercado de hoje, com uma mão de obra cada vez mais especializada, como o novo diretor de criação deve dirigir essas equipes multidisciplinares onde cada profissional tem a sua própria linguagem e a sua própria herança cultural?

Luli: conhecendo bem cada um e vendo o que tem a oferecer. Com isso ele monta uma coleção de habilidades, que será comparada com a coleção de necessidades de seu cliente ou público. Se o cliente precisar de alguma coisa que ele não tem, deve sair para procurar. Não tem segredo. Ou melhor, achar o ponto de equilíbrio exato entre todos esses elementos é o verdadeiro segredo.

Categorias:

Compartilhe:

Página 7 de 7« Primeira...34567

Profissão Web nas redes sociais

  • Twitter
  • Flickr
  • YouTube
  • Facebook
  • E-mail

Galeria de fotos

Fotos oficiais do sétimo dia da Campus Party 2011 em São Paulo

Ver galeria de fotos

Especiais do Profissão Web

Ver galeria de especiais

Publicidade

Enquete do blog

O que você achou da nova versão do Profissão Web?

Ver resultados

Assine nossa newsletter

Cadastre o seu e-mail no campo abaixo para receber diariamente os artigos do Profissão Web:


Um e-mail de confirmação do FeedBurner será enviado para você! Confirme no link que será enviado para o seu e-mail para receber os últimos artigos do Profissão Web.