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Brasil conquista 41 Leões no Festival, a melhor performance dos três últimos anos. AlmapBBDO contabiliza um Ouro, três Pratas e quatro Bronzes em Press; duas pratas em Outdoor; e um Bronze em Cyber - além de uma Prata em Film
O Brasil volta de Cannes com o maior número de Leões dos últimos três anos: 41. A AlmapBBDO ficou em segundo lugar na disputa de Agência do Ano, vencido pela DDB NY. Nesta edição a agência contabiliza um Ouro, três Pratas e quatro Bronzes em Press; duas pratas em Outdoor; e um Bronze em Cyber - além de uma Prata em Film. Ao todo, a publicidade nacional faturou 14 Leões em Press, sete em Cyber, cinco em Outdoor, quatro em Radio, quatro em Film, três em Promo, três em Design e um em Media. Em Direct, não houve Leões.
Em Film houve uma sensível melhora em relação ao ano passado. O País obteve quatro Leões. A F/Nazca ficou com dois troféus: Bronze com “Guerra”, para a Unimed - que havia levado o GP no Wave Festival in Rio - e Prata com “Barba”, para a PlayTV. Os outros Leões de prata ficaram com a Leo Burnett, com a campanha de cinco filmes (“Lençol”, “Camisa”, “Cabelo”, “Bandeira” e “Broche”) para o site de leilão Lance Final, e com a AlmapBBDO, com o filme “Teste”, feito para a ONG Casa do Zezinho.
Nos dois últimos anos, o Brasil havia conquistado apenas dois Leões em Film. Em 2007, a publicidade nacional havia trazido para casa um total de 30 Leões. Não é novidade que, embora o País viva hoje seu melhor momento econômico e social, a criação publicitária está morna.
Ou seja, o desempenho de 2008 foi acima do esperado, embora, de todos os prêmios deste ano, houve apenas um Ouro. No ano passado foram seis. Vale ressaltar que esse número de estatuetas foi atingido mesmo com o País zerando em Direct e tendo visto uma queda substancial em Cyber - de nove Leões em 2007 para cinco nesta edição.
O lugar das Big Ideas
Titanium definitivamente transformou-se no principal prêmio do Festival, atraindo uma quantidade cada vez maior de pessoas em todas as salas de exibição. Infelizmente, o Brasil ainda nem chegou perto de emplacar um case finalista nesta que é a categoria que aponta o futuro da comunicação.
No ano em que as Big Ideas foram a tônica, há uma quase miopia na observação do evento, apenas sob o ponto de vista da quantidade de Leões. Cannes é muito mais do que isso. A riqueza de exemplos e referências trazidas por cases como “Voyeur”, da BBDO Nova York para a HBO, e “Lead India”, da JWT Mumbai para The Times of India, demonstra que os diversos meios utilizados nessas campanhas são secundários. O que vale mesmo é o conceito por trás da estratégia, que de fato mobiliza as pessoas em torno de algo relevante.
A diversidade de assuntos e debates trazida pelos seminários também enfatizou o caráter cada vez mais multifacetado do Festival. Há uma linha invisível que une todas as discussões, que chegam mais ou menos às mesmas conclusões: os consumidores são quem de fato estão conduzindo as mudanças no cenário global de comunicação e mídia, fazendo com que as marcas tenham de os envolver primeiramente como pessoas que têm hábitos, atitudes e comportamentos.
No mundo digital - quase como no conceito “High tech high touch”, em que, quanto mais tecnológica é a relação das pessoas, mais necessidade de contato e vínculos pessoais elas têm - cresce a importância do storytelling como forma de as marcas resgatarem a conexão emocional com seu público. É quase a antítese da teoria que consagrou McLuhan. Nestes novos tempos, de consumidores no comando, a mensagem se sobrepõe ao meio e torna-se fundamental para transmitir a essência das marcas e provocar atitudes.
Ascensão asiática
Os dois Grand Prix para o Japão, em Radio e Cyber, o GP de Direct para a Índia, vários Ouros para Tailândia, Cingapura e Malásia, e o primeiro para a China refletem claramente o deslocamento do jogo de forças do mundo globalizado, antes concentrado no eixo Estados Unidos/Inglaterra e agora disseminado rapidamente para os países da Ásia e do Oriente Médio.
Ficou clara a pulverização das premiações em um número cada vez maior de países. O fato de a Inglaterra não ter conseguido nenhum Leão em Press deixou essa tendência ainda mais evidente.
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