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Em fórum promovido em Brasília, representantes da sociedade civil afirmam que auto-regulamentação publicitária mantém sua credibilidade construída com atuação séria
Representantes do setor de publicidade e da classe política passaram a terça-feira, 10, discutindo as restrições à publicidade de bebidas alcoólicas e a importância da auto-regulamentação na comunicação. O presidente do Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), Gilberto Leifert, destacou a atuação do conselho e o modelo de auto-regulamentação existente no País.
Leifert afirmou que a entidade não tem interesse em competir com o legislativo. Ela quer fazer o seu trabalho em harmonia com o que o legislativo define. No entanto, ele defende maior autonomia para setores como o de publicidade e lamenta que o Congresso esteja com aproximadamente 200 matérias restritivas à atividade publicitárias em tramitação.
“O Conar não quer competir com o legislativo. Nosso trabalho é orientar o mercado, analisar os conteúdos que estão sendo veiculados e fazer recomendações quando necessárias. Nosso compromisso é com a ética e foi assim que conquistamos credibilidade”, disse Leifert.
Ele ressaltou que a maioria das reclamações em órgãos de defesa do consumidor não se referem à publicidade, e sim ao desempenho dos produtos. Leifert ainda declarou que o governo deveria se dedicar a fazer com que as leis já existentes fossem cumpridas, pois na sua opinião não será a restrição à publicidade de bebidas que resolverá o problema de consumo de bebidas alcoólicas por jovens.
Para a socióloga Fátima Jordão a exposição à publicidade sensibiliza os espectadores ao consumo. No entanto, ela avalia que os consumidores estão prontos para reagir a essas mensagens. E afirma que as pessoas têm condições de fazer as suas escolhas. “Vários estudos na área de comunicação indicam que a população sabe se defender e consegue decodificar as mensagens que recebem”, completou.
Já o coordenador de estudos acadêmicos da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), Guilherme Canela, avalia que esse poder de discernimento está associado ao acesso à educação. Canela argumenta que poucas pessoas sabem que podem recorrer ao Conar quando entendem a propaganda como abusiva. “Em tese, todos reagem à mensagem, mas isso só acontece quando a pessoa conhece as ferramentas de que dispõe. Estamos diante de um debate público que precisa ser aprofundado. A Andi é favorável ao projeto de restrição de horário para as propagandas de bebidas alcoólicas porque entende que assim ficará mais fácil o pais terem um controle sobre o que chega até os seus filhos”, afirmou Canela.
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