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Beneficiada por estabilidade financeira e inclusão digital, classe C ganha poder de consumo e pede adaptação do varejo online.
Não é todo país em desenvolvimento que vê um grupo do tamanho da população na metropolitana de Nova York ascender de camadas mais baixas e, sustentado pela estabilidade econômica, para se tornar a maior classe social do país.
Tamanho não explica totalmente a trajetória da classe C no Brasil nos dois últimos anos, que viu também seu poder de consumo elevado, o que faz do grupo alvo obrigatório para empresas nos próximos anos.
Na internet não é diferente. Potencializada pelas medidas de inclusão digital adotadas pelo Governo nos últimos quatro anos, a classe C se vê responsável pelos seguidos crescimentos na base de internautas no Brasil e começa a forçar as empresas digitais e repensarem suas estratégias online, antes tão focadas nas classes A e B.
Entre 2005 e 2007, uma conjuntura de estabilidade financeira, aumento do crédito aos menos favorecidos e crescimento nos empregos com carteira assinada fez com que 19,5 milhões de brasileiros entrassem na classe C, tornado-a a maior do Brasil, segundo estudo divulgado pela Cetelem, realizado em parceria com a Ipsos.
O reflexo mais direto no mundo digital vem do número de usuários com acesso doméstico à internet. O número de pessoas que usam a web em casa atingiu 22,7 milhões de brasileiros, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24/04) pelo Ibope//NetRatings.
Quem sustenta este crescimento estável, mas também explosivo dessa base desde 2006, quando éramos apenas 14 milhões de internautas? A classe C, responde prontamente Alexandre Magalhães, gerente de análise de mercado do Ibope//NetRatings.
Segundo Magalhães, o crescimento vem “desde 2006, mas agora está se acentuando. Quem está ‘distorcendo’ (os números) para cima, no bom sentido, é a classe C”, afirma.
Com terreno fértil pela estabilidade econômica, a adoção de computadores foi recorde em 2007, com 10,7 milhões de PCs vendidos no Brasil, número espantosamente maior que as 10 milhões de TV vendidas no mesmo período.
No total, são cerca de 40 milhões de internautas no Brasil, segundo a Cetelem – o Ibope//NetRating contabiliza apenas usuários que têm acesso doméstico à internet.
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