May
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Nesta quarta-feira teremos a participação de Henrique Costa Pereira do blog Revolução Etc. na seção Profissão Web Entrevista. Nesta semana a entrevista vai focar em desenvolvimento e planejamento para a web, passando um pouco por usabilidade, padrões web, carreira etc.
Thiago Melo: Parece óbvio, mas sabemos que nem sempre o planejamento está presente em todos os projetos para web. Como, na sua opinião, uma pré-avaliação da usabilidade e considerações técnicas, como parte do planejamento, podem afetar o resultado final de um projeto?
Henrique C Pereira: É, realmente isso é algo que deveria ser mais óbvio do que realmente é. O estrago em um trabalho mal elaborado, mal planejado, focado no prazo e no desejo cego de querer agradar o cliente que está pagando o site e não o usuário que deveria ser o foco do projeto, são grandes. Ainda se faz muitos sites para agradar o cliente, sem pensar no usuário. O cliente solicita que a página institucional do site dele deve ter aquele texto enorme só para agradá-lo e agradar aos sócios dele. Ninguém sequer pensa se aquilo é interessante ou mesmo útil para o usuário.
Sobre a usabilidade, ou a falta dela, não necessariamente as empresas, principalmente as pequenas, devem ter profissionais específicos de usabilidade e arquitetura da informação. Mas nem por isso elas devem deixar de pensar nestes termos como parte do processo. Deixar de planejar como o usuário vai se “locomover” dentro do ambiente do site e fazer escolhas exclusivamente baseadas em achismos pode trazer sérios prejuízo ao site.
Thiago Melo: Certo, mas que tipo de prejuízo especificamente?
Henrique C Pereira: Imagine que você vende sapatos no seu site, e a cada 10 visitantes, 5 deles se sentem confusos no processo de compra e sobre como devem proceder por não achar as coisas muito claras. Você acaba de perder 5 possíveis consumidores fiéis. Estatísticas mostram que pessoas que tiveram uma boa experiência em um site, se conseguiram completar as tarefas que queriam (como por exemplo, “comprar”), estes usuários tendem a voltar por já conhecerem aquilo que atende as necessidades deles. O usuário se sente mais à vontade. Os desenvolvedores tendem a achar que todos se comportam na web como eles e acreditam que todos têm a mesma facilidade cognitiva que eles têm.
Thiago Melo: E em relação aos padrões web? Qual o lugar dele no planejamento?
Henrique C Pereira: Muitas pessoas pensam em “padrões web” associando com “otimização para mecanismos de buscas”. Não raro ainda encontro pessoas que dizem: “não vamos usar um código “compliance” por que trata-se de uma intranet, então não devemos nos preocupar com padrões”. Imagine se os eletricistas e os engenheiros pensassem assim ao construir as instalações de uma casa: “Não vamos nos preocupar muito com cálculos e etc., porque é uma casa muito pequena”. Imagine que o dono desta casa queira ampliá-la no futuro, será que os engenheiros diriam: “Não planejamos esta casa para isso, ela não pode ser ampliada, terá que ser refeita do zero”.
A metodologia de desenvolvimento utilizada se mal planejada, pode dobrar o tempo de manutenção no futuro. Utilizar padrões de desenvolvimento e mais especificamente padrões no HTML + CSS é mais rápido, mais produtivo e mais fácil de dar manutenção no futuro. Evitar erros de sintaxe está além da validação. Quem ainda desenvolve HTML pensando em “validação da W3C” não entendeu completamente as vantagens de se desenvolver com padrões.
Thiago Melo: Qual a relação entre a “Arquitetura de Informação” e as três áreas mais tradicionais de uma produtora de sites: programação, criação, e redação?
Henrique C Pereira: Tenho lido alguns autores que defendem a arquitetura da informação como um processo e não necessariamente como uma profissão ou função ocupada por uma pessoa. Não estou dizendo que concordo (ou discordo completamente) com essa posição, mas uma coisa é fato: todos os envolvidos em um site devem ter em mente que estão desenvolvendo uma interface para o usuário e não para eles mesmos, ou para os chefes ou para aqueles que estão pagando pelo site. Eu acredito que todos os envolvidos, sejam profissionais do comercial responsáveis exclusivamente pelo contato e venda de produtos, até redatores, programadores, pessoal do marketing etc. Todos devem estar cientes destes princípios e todos devem participar como um todo do processo de criar websites para serem “usados”.
Thiago Melo: Como um redator, por exemplo, poderia contribuir?
Henrique C Pereira: Tem muito a contribuir. Desde sugestão e criação de itens de menu simples e sugestivos até escrita em pirâmide invertida.
Thiago Melo: Do que trata essa técnica de pirâmide invertida?
Henrique C Pereira: Se você tem uma quantidade relativamente grande de informações que inevitavelmente devem estar em um texto, você primeiro deve trazer a informação mais importante no topo e nos parágrafos seguintes os outros detalhes. Se observar, por exemplo, em muitos textos da Folha, primeiro eles escrevem no primeiro parágrafo todo o resumo de toda a notícia, o suficiente para você saber o que aconteceu, onde aconteceu e o porquê. Se você tem mais tempo para ler, os parágrafos seguintes trazem mais detalhes sobre os fatos já escritos no primeiro. Vale lembrar que escrever para web é diferente de escrever um romance. Imagine se Gabriel Garcia Marques escrevesse no estilo de pirâmide invertida? Ninguém passaria do primeiro capítulo.
Thiago Melo: Você acha que deve haver uma migração natural dos profissionais de design de interfaces para arquitetura da informação?
Henrique C Pereira: Não, o que eu acho que deve ser feita é uma migração de consciência do processo como um todo e não necessariamente de cargo. Acho que cada profissional tem sua importância e eu não gosto quando algumas pessoas parecem (entendam o que eu disse “parecem”) valorizar mais um tipo de profissional em detrimento de outro. Um ótimo designer não deveria se tornar um “arquiteto da informação” para ganhar mais em nenhuma hipótese (e vice versa) como se este cargo fosse “superior” ao dele. Coloque 10 arquitetos da informação em uma sala onde nenhum deles sabe nada sobre desenvolvimento, HTML, programação, banco de dados e etc. para fazerem um site. Só vai sair de lá bons wireframes. Entretanto, um bom designer de interface é aquele que cria uma solução de design de um montante de conteúdo “x” de informação amigável para o usuário e não para ele mesmo. Como eu disse anteriormente, todos os envolvidos precisam se inteirar do processo como um todo para as coisas fluírem. Cada profissional tem seu espaço e suas especialidades. E ambos são de extrema importância. Esse “bom” designer tem que aprender que soluções de design para websites são para serem “usados” e não “contemplados”. Este é o ponto.
Thiago Melo: Qual o perfil, na sua opinião, de um profissional que quer trabalhar com design de interfaces e AI.
Henrique C Pereira: Navegar muito na web, depois navegar mais e mais. Eu não tenho nenhum segredo e já vi profissionais migrarem para estas duas áreas vindo de lugares completamente diferentes. Muitos designers vieram das artes gráficas, desenho industrial e editoração gráfica. E eu sei de pessoas que estão trabalhando com arquitetura da informação e migraram de designers de interfaces, jornalismo, biblioteconomia, arquitetura e até biólogos, alguns sem até mesmo terem passado por alguma experiência com desenvolvimento. Então eu não consigo traçar um segredo pra depois revelar. O importante é estudar e ler muito em todos os casos.
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1° Rogério Pereira 16 de May de 2007 às 9:55 am
Vejo todas as etapas de desenvolvimento de um site como um processo onde devemos ter especialistas em suas determinadas áreas. Por isso também acredito que devemos sim ter um profissional especializado em AI.